Uma ponte entre a pesquisa, a profissão e a sala de aula

Jorge Davidson

Em uma sociedade em que o conhecimento tende a fragmentar-se e especializar-se de forma cada vez mais profunda, estender pontes entre áreas e âmbitos diversos não é uma tarefa fácil. Esse é justamente um dos aspectos que gostaria de destacar com relação ao projeto TradWiki, que venho acompanhando (como leitor e colaborador) e vendo crescer sobre bases sólidas há algum tempo.

Vejo na TradWiki a vocação de estender pontes, especialmente entre a pesquisa, o âmbito profissional, a sala de aula e as pessoas que estão dando os primeiros passos na profissão. A partir da minha experiência como professor, identifico na TradWiki um grande potencial para seu uso em sala de aula. Com sua estrutura simples e de fácil consulta, o material que oferece pode ser um excelente disparador para abordar temas diversos. As entradas são claras e concisas, o que faz com que ofereçam uma porta de entrada privilegiada para alunos e iniciantes. E, sobretudo, foram redigidas por tradutores e pesquisadores com diferentes níveis de experiência, mas com uma visão integral do mundo da tradução. Particularmente, indico aos alunos como leitura obrigatória a seção de Ferramentas de auxílio ao tradutor que, em poucas palavras, consegue transmitir uma ideia clara da lógica e do funcionamento destas importantes ferramentas de uso cotidiano para muitos de nós.

Além do próprio conteúdo, a forma que adota o projeto TradWiki também permite mostrar mais um aspecto da nossa profissão: a capacidade de colaboração. Ela mostra o que também acontece em outros lugares de encontro, do mundo real e virtual (como os diversos grupos de tradutores que existem no Facebook), isto é, a existência de muitos colegas, mais ou menos experientes, dispostos a colaborar desinteressadamente. Em tal sentido, o projeto TradWiki também se apresenta como superação de outras tendências que coexistem na nossa profissão, orientadas pelos egos e o personalismo. O fato de a colaboração poder ser anônima permite justamente deixar de lado a procura de prestígio pessoal e incentiva a horizontalidade, a construção de conhecimento coletivo e até facilita a participação dos mais tímidos.

Por último, gostaria de mencionar mais um aspecto que pareceria oposto ao conceito tradicional de enciclopédia. A TradWiki é um projeto em andamento, seu objetivo não é ficar pronta em algum momento nem simplesmente cristalizar o conhecimento existente, mas continuar desenvolvendo-se de forma continua e incluindo novos temas e novos colaboradores que aportem perspectivas diferentes.

Jorge Davidson é tradutor técnico e professor da pós-graduação em Tradução da Universidade Estácio de Sá.

Tradutores, Sintra, Simples, Abrates e quejandos

Daniel Estill

Recentemente, houve uma longa discussão no grupo Tradutores e Intérpretes do Facebook sobre a atuação do Sintra, o enquadramento das empresas de tradução no Simples e assuntos relacionados e diversos. Como em toda discussão do Facebook, comentários informados, dúvidas, opiniões inflamadas e críticas misturaram-se numa longa sequência de rolagens de tela, de difícil leitura e existência fugaz.

Sintra, Simples, Abrates são temas recorrentes, muito antigos e altamente relevantes, que periodicamente reaparecem nas redes sociais e listas de email de tradutores. Há anos que tradutores e empresários de tradução veteranos alertam para os perigos do enquadramento indevido. Há anos que se critica a pouca atuação do Sintra em defesa dos interesses da categoria. Há anos que se questiona a atuação da Abrates. Entre críticas justas e injustas, acredito que caiba às entidades buscar uma maior visibilidade junto aos tradutores e encontrar formas de informar sobre suas atividades constantemente.

A Abrates vem passando por um processo de revitalização há algumas gestões e o Sintra também pode se beneficiar deste bom momento. Nada como uma causa justa e comum para mobilizar a categoria, e o enquadramento numa alíquota menor do Simples e a possibilidade de tradutores serem Microempresas Individuais – MEIs – são motivos altamente justificados para um amplo movimento de filiação e participação dos tradutores em suas entidades. Uma vez filiados e atuantes, suas reivindicações e críticas tornam-se muito mais legítimas e eficazes.

A TradWiki tem artigos específicos sobre a Abrates, o Sintra e mesmo sobre o processo de enquadramento das empresas de tradução no Simples. Como tudo o mais, são artigos em desenvolvimento, abertos à colaboração de todos. Diferente dos debates – ricos e necessários – das redes sociais, os artigos da TradWiki permitem a organização das informações de forma a se manterem sempre atualizadas e relevantes. Tanto quanto à atuação dentro das entidades, cabe a cada um de nós enriquecer nossa enciclopédia com informações embasadas sobre os temas mais importantes para todos nós.

Desta forma, convido as diretorias da Abrates e do Sintra, e a todos que estejam interessados nas questões tributárias que nos afligem a colaborarem com os artigos já disponíveis na enciclopédia. Basta abrir as respectivas páginas, clicar na aba Editar para começar a melhorar e enriquecer as informações lá disponíveis. Os links para os artigos são os seguintes:

Ao invés de ficarmos eternamente repetindo as antigas discussões e debates, que tal arregaçarmos as mangas e contribuirmos com algumas linhas ou parágrafos de informações embasadas para artigos que realmente esclareçam, orientem e ainda por cima, mantenham o registro histórico dos nossos principais temas?

A TradWiki e a visibilidade do tradutor

Daniel Estill

Na semana passada, nós nos vimos lá no congresso anual da Abrates. Durante três dias, mais de oitocentos tradutores se encontraram para aprender uns com os outros e refletir sobre a profissão, ou seja, fazer cara a cara o que a TradWiki faz na Web. A nossa enciclopédia se fez presente na mesa sobre visibilidade do tradutor, representada pela competente Mitsue. Ao lado dela também estiveram os igualmente sagazes Reginaldo Francisco, Leonardo Milani e Ernesta Ganzo. Reginaldo e Ernesta falaram sobre a visibilidade autoral do nosso trabalho e o Leonardo, sobre a visibilidade institucional promovida pelas entidades de classe. A Mitsue apresentou a TradWiki enfatizando um de seus aspectos especialmente importante para cada um de nós: uma oportunidade de ver e ser visto.

Ao falarmos da TradWiki, acho importante reforçar um aspecto: é preciso que vejamos a nós mesmos para que os outros possam nos ver.  A gente percebe pelas conversas nas redes sociais que muitos tradutores não têm uma ideia clara da amplitude e complexidade da profissão. Há uma carência muito grande de formação de fato e não há uma visão estruturada do que seja a tradução, que dirá uma reflexão mais profunda sobre ela. A TradWiki pretende ser não apenas um receptáculo de conhecimento, mas também um espaço de autoconhecimento, individual e coletivo. Ela cumpre esse papel quando nos dedicamos a organizar nosso conhecimento na elaboração de um artigo e apresentarmos a nossa contribuição como parte da construção de um saber maior.

Passados dois anos do início do projeto, podemos dizer que praticamente todos os aspectos profissionais sobre tradução estão “visíveis” lá, ainda que em diferentes níveis de profundidade. Ir mais fundo nos conteúdos da TradWiki é o próximo desafio. Mais do que nunca, o projeto, e a nossa profissão, precisam de gente que descubra e revele para o mundo que a tradução realmente implica a busca e a construção constante de um saber de dimensões enciclopédicas e em constante transformação, para o qual cada um pode contribuir com uma pequena parte. O importante é que, por pequena que seja, cada uma dessas contribuições mostra para o mundo não só a competência individual dos colaboradores, mas também a complexidade e a riqueza deste universo chamado Tradução. Não tem como não ver e é responsabilidade de cada um de nós mostrar isso para o mundo.

TradWeek(s), as semanas da TradWiki: Estilo, formação e manuais — 6 a 26 de abril

Estamos completando mais um ano agora em maio, nosso terceiro. Este mês renovamos o registro e a hospedagem do domínio tradwiki.net.br com uma rápida e eficiente ação entre amigos do Facebook. Em menos de um dia, arrecadamos os R$ 255,00 necessários para a renovação. A TradWiki, seus leitores e colaboradores agradecem de coração a boa disposição da comunidade para que este projeto continue avançando.

Como o show não pode parar, deixamos de publicar o TradWeek nas últimas semanas, mas o povo não parou e a produção foi intensa. Desde a correção de pequenos erros que a incansável Roseli não deixa passar (e sabendo como ela anda atribulada de trabalho, a gente valoriza ainda mais), às contribuições  importantíssimas sobre ferramentas, formação e avanços no nosso guia de estilo.

Reginaldo Francisco e Carolina deram uma atualizada importante no artigo Formação de tradutores, fazendo alguns acertos e adicionando novidades. É notável como os número de cursos de tradução vem crescendo, com ofertas cada vez mais profundas e profissionais. A última grande novidade foi a reestruturação do curso de especialização da PUC-Rio, que agora voltou como especialização, valendo como pós-graduação lato sensu.

A Sofia Pulci iniciou dois novos artigos, Versão e Tradução Jurídica. São temas para lá de complexos e sabemos que tem muita gente que pode fazer contribuições valiosas para ambos. A iniciativa da Sofia nos faz lembrar que não é preciso criar um artigo do começo ao fim de uma vez. Às vezes, gostaríamos que um artigo fosse desenvolvido por outras pessoas além de nós, e aí é só fazer isso que a Sofia fez, criar o artigo com umas poucas linhas para que outras pessoas o complementem. Mas uma coisa muito importante é divulgar nas redes sociais a criação do artigo e convidar mais gente para colaborar. Com essa divulgação, você também está dizendo para a comunidade quais são seus interesses e mostrando que “manja dos paranauês”.

O Roger Chadel, nosso homem do Wordfast, fez acréscimos incríveis sobre APIs de tradução automática para as nossas ferramentas de memória de tradução, acrescentou informações sobre ferramentas de gestão terminológica e, o mais notável, incluiu o link para a atualização do manual do Wordfast feita por ele e disponível na Web. Que tal avançarmos no projeto de uma Wiki para este manual, Roger?

A TradWiki também vai ficando mais estilosa. A Mitsue e o Daniel avançaram um pouco mais no desenvolvimento do Guia de Estilo, com dicas e instruções de redação para buscarmos a uniformidade possível do estilo de todos os nossos textos. O guia de estilo também serve de parâmetro para quem gosta de revisar os textos da enciclopédia e fazer as melhorias que achar necessárias.

Carol e Daniel também fizeram algumas mudanças na primeira página, com o objetivo de deixá-la mais limpa e com o conteúdo da enciclopédia mais fácil de ser encontrado. Como tudo o mais neste projeto, a primeira página também é um trabalho em andamento.

E se você tem ideias e vontade de juntar o que sabe com aquilo que queremos aprender, não se acanhe, a TradWiki pertence à toda comunidade de tradução e interpretação, sem discriminação de raça, cor, gênero, e, muito menos, de língua.

A TradWiki e eu

Mitsue Siqueira

Algumas pessoas gostam de cuidar de plantas para relaxar; outras preferem caminhar ao ar livre, e ainda há quem prefira cozinhar, cuidar de bichinhos de estimação etc. Gosto muito de tudo isso, mas o que sempre me ajudou a aliviar de verdade as pressões cotidianas foi a escrita. Amo escrever, e meus cadernos sempre foram rabiscadíssimos, cheios de setinhas e com ideias que não paravam de brotar.

Agora, com computador, uso e abuso dos Ctrl+X, Ctrl+C e Ctrl+V, sublinho, pinto, coloco em negrito, itálico e o que mais me vier à cabeça. Muitas vezes, quando me vi diante de situações de estresse, o simples fato de parar por horas e escrever folhas e mais folhas de qualquer coisa me colocava de volta nos trilhos. É libertador. Ainda assim, escrevi muitos textos e os joguei fora por simples falta de propósito. O objetivo por muito tempo era só “desabafar” comigo mesma, e minha escrita não tinha outra finalidade até então.

Foi quando escolhi me dedicar e abraçar uma causa que tem um belíssimo propósito educacional e formativo. Adotei a TradWiki, que me adotou de volta, e estabeleci como meta em 2015 (aquelas metas de ano-novo, sabe?) ter uma dedicação mais intensificada. Finalmente vi chegar a chance de presentear minha escrita com um propósito, e dos bons.

E como não falar da sensação maravilhosa de ver crescer uma página que você criou? Muitas vezes basta dar o pontapé inicial e aguardar as contribuições de outros colaboradores sobre o tema que você propôs. Ou às vezes você mesmo inicia e desenvolve uma página que, no fim das contas, acaba tendo a sua cara. De qualquer maneira, um colaborador ajuda o outro, a enciclopédia ganha corpo e o conteúdo fica ainda mais interessante.

De quebra, ainda recebo em troca o reconhecimento profissional como colaboradora assídua dessa causa. Amplio minha rede de contatos, interajo com profissionais de primeira categoria e, o melhor, faço amigos. A experiência com a TradWiki me fez desmistificar a ideia tão difundida das “panelinhas”, já que basta ter vontade e disposição para entrar e se aperfeiçoar. Qualquer um pode chegar e, certamente, será muito bem-vindo.

O que espero da TradWiki? Amadurecimento profissional, reconhecimento no mercado, troca de experiências e, acima de tudo, a realização de uma “simples” meta que estipulei a mim mesma. Quero crescer, e aprendi que meu desenvolvimento pessoal não precisa beneficiar somente a mim. Aos poucos, nem que seja meia hora de cada semana, pretendo investir nessa iniciativa e, assim, eu e a TradWiki seguiremos crescendo juntas.

TradWeek – 30/3 a 5/4 – Com estilo e muitos links

A última semana começou com a Mitsue dando o pontapé inicial no Guia de Estilo da TradWiki. A ideia é ir agregando aos poucos sugestões para que os colaboradores escrevam de modo a manter um estilo mais ou menos uniforme, com várias dicas boas que, claro, não valem só para a TradWiki. Dê uma olhada e aproveite para dar uma mãozinha também nesse guia de estilo, além de se aventurar nos verbetes.

O Reginaldo Francisco e a Carol Alfaro enriqueceram um pouco mais a página sobre formação de tradutores.

Anônimos fizeram acréscimos à nossa lista — que já está ficando impressionante! — de obras de ficção e não ficção com tradutores e intérpretes.

A Carol também trabalhou na página sobre software para tradução audiovisual e aproveita para fazer um chamado aos tradutores da área: não querem listar ou adicionar um breve resumo sobre os programas que vocês usam?

Ela também está lançando uma nova campanha: link nunca é demais! O singelo link é um recurso valioso em qualquer site, pois permite navegarmos de um conceito a outro e nos perdermos pela enciclopédia, encontrando informações que nem estávamos procurando. Por exemplo, nos verbetes gerais sobre tradução e sobre interpretação, ela inseriu vários links internos, além de repetir o índice de cada área que está na página inicial. É redundante? É. Justamente, a redundância é vantajosa na internet. Então, para aqueles colaboradores que não sentem muita confiança na redação de verbetes novos, uma ajuda valiosíssima é abrir a TradWiki em duas páginas do navegador, ir navegando em uma e, na outra, inserir links internos nos verbetes. Este tutorial de 10 minutos mostra como fazer isso.

Boa semana para todos!

TradWeek – 23 a 29 de março – E vem que tem eventos!

A semana passada abriu com o Pablo Cardellino e o Reginaldo Francisco atualizando a página de Eventos sobre tradução. Minicursos neste final de março com pesquisadores de renome visitando a UFSC, como a Christiane Nord, e a definição das datas de mais uma edição da Semana do Tradutor, na UNESP. Vale conferir esta página regularmente. Tem sempre coisas novas acontecendo e às vezes perdemos algum evento na nossa própria cidade simplesmente por não saber onde acompanhar a agenda. E se você souber de algum evento bacana que não esteja registrado na nossa página, é só incluir — e divulgar!

E já que estava por lá mesmo, além de dar uma arrumada nos eventos, o Reginaldo também deu uma “penteadinha” no artigo Teoria da Tradução, que ganhou um belo empurrão da Fernanda Boito na semana retrasada. Nunca leu nada sobre as teorias da tradução? Comece pela TradWiki, além do artigo iniciado pela Fernanda, também temos uma introdução em desenvolvimento sobre os Estudos da Tradução. Aliás, o Reginaldo deixou um recado para a Fernanda na página de discussão sobre o artigo Teoria da Tradução. Vocês sabiam que todos os artigos tem uma página dessas para troca de ideias entre os autores, colaboradores e revisores?

Também damos as boas vindas ao registro de duas novas potenciais colaboradoras da TradWiki, que criaram as contas em nome de Mariongorenstein e Evely. Quem são? De onde vem? O que levou vocês a criarem suas contas? Apresentem-se, moças, não sejam tímidas! Que tipo de participação gostariam de ter na TradWiki?

E não vamos deixar de louvar os anônimos intencionais ou distraídos, que também continuam a marcar presença com seus IPs misteriosos. Pequenas revisões em alguns artigos  e acréscimos no artigo Bases de Conhecimento, tudo sempre muito bem-vindo. Só um acerto pequeno? Nem precisa fazer registro de usuário ou se logar, corrija aquela ortografia, aquela vírgula a mais ou a menos e pronto, apenas seu IP fica registrado nas mudanças recentes.

E partimos para mais uma semana, com grandes expectativas! Nosso guia de estilo começando a deixar de ser conversa para se inscrever em breve nas páginas da TradWiki, é a Mitsue saindo um pouco da cena principal e indo mostrar serviço nos bastidores da nossa enciclopédia. Work in progress, sempre, contínuo e incessante. O que você quer aprender? O que você tem a ensinar? É para isso que a TradWiki existe, todos aprendemos, todos ensinamos.

Ainda não sabe como participar da TradWiki? Confira as videoaulas que a Carol Alfaro fez para a gente: https://www.youtube.com/watch?v=fIiP4Co4ZIo

TradWeek – 16 a 22 de março: a teoria contra-ataca

Tradweek #10, 16 a 22 de março de 2015

 Na semana passada, em lugar do TradWeek, publicamos o artigo da Teresa Dias Carneiro sobre o uso da TradWiki em sala de aula.

Mas, voltando à TradWiki, além da fiel escudeira Mitsue, que continua desenvolvendo as páginas ligadas ao projeto de tradução e gerenciamento de projetos — foram criados os verbetes sobre prazo e cotejo — a novidade desta última semana foi a entrada triunfal da Fernanda Boito. Ela chegou mergulhando de cabeça no verbete sobre teoria da tradução. Pode ser um bom momento para outros teóricos saírem do armário e colaborarem com esse desenvolvimento — que tal?

Os eventos também foram atualizados pelo Pablo e o Reginaldo. Aliás, a esta altura a página de eventos da TradWiki já virou referência.

É isso aí. Todo mundo está ocupadíssimo estes dias, mas a TradWiki não fica parada!

A TradWiki em sala de aula, e em LIBRAS

por Teresa Dias Carneiro

Sou professora de Estudos da Tradução, no Departamento de Letras-LIBRAS, na Faculdade de Letras da UFRJ. Comecei a ministrar a disciplina Introdução aos Estudos da Tradução, no segundo semestre de 2014, para alunos dos cursos de Bacharelado (formação de intérpretes LIBRAS/Português) e Licenciatura (formação de professores bilíngues LIBRAS/Português) de Letras-LIBRAS. Esta é uma disciplina de primeiro período, em turmas mistas, compostas por alunos surdos e ouvintes. O professor é auxiliado em sala de aula por um intérprete educacional de LIBRAS.

Como os alunos são calouros e quase nenhum deles esteve exposto a discussões sobre tradução antes na vida, o assunto deve ser abordado de maneira muito introdutória. Passei a usar como material didático duas plataformas, muito diferentes em propósito e organização, para me auxiliar nessa tarefa. A primeira á a plataforma aberta do curso de Letras-LIBRAS, da UFSC (http://www.libras.ufsc.br/), mais antigo do que o da UFRJ, e que se tornou referência para a organização dos cursos de Letras-LIBRAS que foram se inaugurando Brasil afora, na esteira da legislação que instituiu a Libras como língua de sinais brasileira oficial (Lei no 10.436/2002), determinou a formação do professor de Libras em nível médio e superior, definindo o perfil mínimo para o exercício da profissão, e incluiu Libras como disciplina curricular obrigatória nos cursos de licenciatura e Fonoaudiologia e optativa para outros cursos (Decreto no 5.626/2005), e regulamentou a profissão de Tradutor/Intérprete de Libras (Lei no 12.319/2010).

O segundo recurso foi a TradWiki, que se autodenomina “uma enciclopédia online sobre tradução escrita por tradutores e pesquisadores da área” (http://www.tradwiki.net.br/Página_principal). O primeiro recurso é claramente – e foi pensado desde sua organização para que fosse -, um REA (Recurso Educacional Aberto), o segundo não foi pensado como tal (na sua definição transcrita assim, não consta a possibilidade de ser acessado e contribuído por professores e alunos), pelo menos não em sua proposição inicial, mas nada impede que seja usado dessa forma. A minha experiência, relatada a seguir, vem comprovar isso.

Segundo a UNESCO/Commonwealth of Learning:

Recursos Educacionais Abertos (REAs) são materiais de ensino, aprendizado, e pesquisa em qualquer suporte ou mídia, que estão sob domínio público, ou estão licenciados de maneira aberta, permitindo que sejam utilizados ou adaptados por terceiros. O uso de formatos técnicos abertos facilita o acesso e o reuso dos recursos publicados digitalmente. Recursos Educacionais Abertos podem incluir cursos completos, partes de cursos, módulos, livros didáticos, artigos de pesquisa, vídeos, testes, software e qualquer outra ferramenta, material ou técnica que posso apoiar o acesso ao conhecimento. (2011) (http://www.rea.net.br/site/conceito/)

Como alguns dos tópicos do programa da disciplina que ministrei correspondiam a verbetes existentes na TradWiki (tradução juramentada, tradução editorial etc.), e os alunos teriam que apresentar seminários sobre esses temas, sugeri que começassem sua pesquisa a partir da TradWiki e dali partissem para outras fontes que complementassem esse conteúdo. O resultado percebido foi muito bom, além das expectativas iniciais, o que me estimulou a explorar a TradWiki no ensino da disciplina de uma forma ainda mais ousada a partir do ano letivo de 2015.

A TradWiki ainda tem vários verbetes em vermelho, isto é, “vazios”, como subdivisões do tema “Interpretação”, ou que precisam ser completados, como o verbete “LIBRAS”, sendo que ambos necessitam da colaboração de voluntários para existirem ou serem enriquecidos. Pensei então em “matar dois coelhos com uma cajadada só”: criar atividades instigantes para os alunos e contribuir com a TradWiki, num primeiro momento, e criar uma Wiki para a disciplina na plataforma Moodle (essa é a plataforma oficial do projeto Letras2.0, da UFRJ), num segundo momento. Vejamos minhas ideias iniciais (comentários, observações e contribuições são muito bem-vindos):

O Projeto – dois momentos

1º momento: Atividade de escrita colaborativa no REA TradWiki:

  • Propor aos alunos completar o verbete LIBRAS, criando subitens (enquete a ser feita com os alunos de quais subitens poderiam ser criados), compartilhando um documento no Google Drive e dividindo tarefas.
  • O professor serviria como mediador, comentador e revisor da versão final do verbete.
  • O link seria carregado no site da TradWiki como contribuição coletiva.

2º momento: Criação de uma Wiki da disciplina no Moodle, com conceitos abordados no material didático e na sala de aula:

  • Nome da Wiki: Introdução aos Estudos da Tradução 2015.1
  • Descrição da Wiki: enciclopédia de verbetes criados a partir dos conceitos discutidos na disciplina Introdução aos Estudos da Tradução
  • Produção Textual Coletiva
  • Gênero textual: verbetes enciclopédicos
  • Nenhum grupo na modalidade grupo (todos os alunos da turma participam).
  • Propor o uso de diferentes cores com a inserção de uma pequena legenda, definindo a cor a ser usada por cada aluno. Cada aluno da turma fica responsável por um verbete.
  • Os alunos votam um editor-chefe do texto final.

Em cada verbete deverá haver a inserção de imagens, vídeos incorporados e links externos que possam exemplificar o conceito do verbete.

Exemplo:
Criação do verbete “Adaptação”

  • Definição geral do termo
  • Definição por autores específicos, incorporando a citação e referência bibliográfica. Por exemplo, conceito de “adaptação” por autores que tratam de tradução audiovisual.
  • Inserção de uma imagem, link externo ou vídeo. Por exemplo, uma adaptação de texto literário para o cinema.

A depender do resultado da Wiki da disciplina, os verbetes criados poderiam ser carregados na TradWiki, expandindo seu conteúdo. Como essa proposta ainda não foi posta em prática, e depende totalmente da participação ativa dos alunos, veremos ao final do semestre o que poderá ser aproveitado, se for do interesse dos organizadores da TradWiki.

Como as novas tecnologias digitais estão somente começando a ser utilizadas nas disciplinas da faculdade de Letras, principalmente fora das disciplinas de ensino de inglês, ainda há tudo para se explorar nesse novo mundo. Com novas iniciativas (e o relato compartilhado dessas iniciativas), boas ideias podem surgir para tornar aulas teórico-conceituais muito mais interessantes e dinâmicas. De quebra, essa experiência ainda colaborará com a disciplina Ensino de Português como L2 para Surdos, já que é notória a dificuldade que muitos alunos surdos apresentam na redação do português na variedade padrão.

Leitura recomendada para quem se interessa por REAs:

SANTANA, Bianca, ROSSINI, Carolina e PRETTO, Nelson de Luca (org.). Recursos Educacionais Abertos: práticas colaborativas e políticas públicas. Salvador: Casa da Cultura Digital/EDUFBA, 2012. (http://issuu.com/lucaspretti/docs/livrorea)

TradWeek – 2 a 8 de março: Olhando para frente

Tradweek #9, 2 a 8 de março de 2015

Na semana passada a ação se concentrou principalmente nos bastidores da enciclopédia. Aconteceram algumas coisas bem importantes para a sedimentação e o futuro do nosso projeto.

TradWiki na sala de aula

A  professora de Estudos da Tradução do curso de Libras da UFRJ, Teresa Dias Carneiro, escreveu um depoimento sobre como ela está incorporando a TradWiki à prática em sala de aula. Teresa dá aula para uma turma mista de surdos e ouvintes, em que é auxiliada por um intérprete educacional da Língua Brasileira de Sinais. Fantástico, não? Um trabalho que tem tudo a ver com a proposta da TradWiki de integrar pessoas de todos os segmentos da tradução para compartilharem seus saberes e aprenderem uns com os outros. O texto vai sair na próxima quinta-feira aqui no blog. Imperdível!

TradWiki no Reino Unido

No meio da semana, recebemos a boa notícia de que saiu publicada a entrevista que a Ana Iaria fez com o Daniel Estill sobre a TradWiki para o influente ITI Bulletin – o boletim do Institute of Translation and Interpreting do Reino Unido. O ITI é a associação nacional de tradução e interpretação do Reino Unido. O boletim é impresso, com uma tiragem de 3.000 exemplares, mas com um alcance e um impacto muito importante para a comunidade tradutória internacional. Quem quiser conferir, é só clicar neste link: entrevista para o ITI com Daniel Estill.

TradWiki mais estilosa, ou Navegar é preciso!

A outra novidade foi o pontapé inicial para o desenvolvimento do guia de estilo da TradWiki. A iniciativa partiu do Ricardo Souza, tradutor dos sete mares de textos de navegação e outros gêneros e que acaba de ingressar no mestrado stricto sensu na PUC-Rio. Ele vai começar a trocar ideias com algumas pessoas para pensar em como desenvolver o guia. As vagas estão abertas para quem quiser se envolver nesta missão. A elaboração de um guia de estilo para um projeto como a TradWiki é uma oportunidade única de aprendizado sobre edição e organização textual e a coordenação do Ricardo é certeza de trabalho prazeroso e bem feito.

TradWiki da Mitsue

Quanto ao nosso conteúdo, na semana passada só deu Mitsue Siqueira, que vem se dedicando à TradWiki de uma maneira incrível. Mesmo sem tempo para sempre escrever textos de mais fôlego, a Mitsue e mais algumas e alguns outros colegas têm procurado manter uma regularidade impressionante de participações, acrescentando links e pequenas informações aqui e ali quase que diariamente. Um trabalho admirável no qual podemos ver a profissional disciplinada, meticulosa e extraordinariamente generosa que ela é. Obrigado por manter a peteca no ar na semana passada, Mit! Agora a gente tem que tratar de criar vergonha na cara para não te deixar aparecer sozinha lá nas mudanças recentes. Afinal, também queremos mostrar o que sabemos e a que viemos!

TradWiki  visível no congresso da Abrates

E, para completar as novidades, a TradWiki estará no painel “A construção da visibilidade do tradutor”, no VI Congresso Internacional da Abrates. Vamos falar de como a TradWiki contribui para a visibilidade dos tradutores para os próprios profissionais e pesquisadores, mas também da exposição que a enciclopédia proporciona da tradução para o público externo. A mesa será coordenada pelo Reginaldo Francisco, que vai falar de estratégias textuais para a visibilidade do tradutor, e contará também com a presença da Ernesta Ganzo, falando sobre a campanha para que os tradutores recebam os devidos créditos a que fazem jus, e ainda com o Leonardo Milani, tratando da visibilidade através das entidades de classe. Venham nos ver!